Dislexia: compreensão da família e da escola

A dislexia, ao contrário dos que muitos pensam, não é uma doença, mas um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem. Em outras palavras, é uma deficiência de aprendizagem muito mais percebida na leitura, mas que também atinge a escrita e a soletração.

A palavra é derivada do grego “dis” (dificuldade) e “lexia” (linguagem). Para a Associação Nacional de Dislexia o que ocorre é uma lacuna entre a habilidade de aprendizagem e o sucesso escolar, sendo que o problema não é comportamental, psicológico ou de motivação pessoal e social.

Como as estatísticas demonstram que a dislexia atinge uma média de 5 a 15% de crianças, dificilmente uma escola deixa de ter disléxicos em seus bancos escolares.

Conhecimento e argúcia da parte do professor são necessários para a compreensão de que a criança tem dificuldade em soletrar; lê, mas não interpreta; escreve ao contrário como se estivesse um espelho à sua frente; tem melhor desempenho na oralidade que na escrita. Há muitas variações a esse quadro.

As primeiras observações são da família. O que não se pode é rotular o aluno de preguiçoso, desinteressado, incapaz, “burro”, o que será um erro fatal. Sei que o MEC fez um documento que orienta uma política direcionada à educação dos alunos com distúrbios de aprendizagem, desmistificando ideias e preconceitos sobre dislexia.

É fator genético e hereditário. Uma definição que merece ser refletida: “Dislexia é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente”.

Compromete o futuro da criança, perguntam muitos pais? Cada caso é um caso que merece cuidados, acompanhamento e, por vezes, assistência profissional especializada.

Entretanto, dislexia não implica em falta de sucesso no futuro. Prova disso são pessoas disléxicas de grande projeção profissional como: Albert Einstein (o gênio da teoria da relatividade), Thomas Edison (inventor), Walt Disney (criador das personagens e dos estúdios Disney), Tom Cruise (ator), Agatha Christie (autora) Charles Darwin (autor da teoria da evolução), entre tantos outros.

Muitos amigos meus são disléxicos e vivem bem, bem-sucedidos em suas vidas profissionais e familiares.

Preconceitos existem; é necessário vencê-los. Não faz muito tempo uma rede de televisão explorou o assunto por meio de uma novela: Duas caras. A atriz Bárbara Borges interpretou uma estudante com dislexia, lutando contra muitos preconceitos.

Fonte:http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=177205