Ex-hacker que denunciou militar cai em desgraça com ex-fãs


Adrian Lomo vive a experiência inédita de ser aplaudido por ex-críticos e criticado por ex-fãs
Depois de denunciar um militar que acabou preso por vazar vídeos do Exército americano, inclusive o ataque de helicópteros Apache contra civis no Iraque, o ex-hacker americano Adrian Lamo, 29 anos, começou a receber ameaças. Desde a divulgação da história, ele deixou de ser um dos "heróis" da comunidade hacker dos Estados Unidos, passando a ser visto por alguns como um traidor.
O soldado Bradley Manning, um analista de inteligência de 22 anos que servia próximo a Bagdá, no Iraque, alegadamente está preso no Kwuait enquanto o caso é investigado. Lamo, conta o jornal The Sacramento Bee, continua morando no Condado de Sacramento, na Califórnia. Na quinta-feira passada, não havia recebido ainda proteção, mas o FBI (a polícia federal americana) e o Exército estavam em contato com ele em busca de informações.
A decisão de procurar as autoridades causou uma reviravolta na vida de Lamo. Pessoas que condenavam sua vida de hacker passaram a cumprimentá-lo e tratá-lo como um herói. Na quinta-feira, testemunhou um repórter, ele estava em uma loja da rede de cafeterias Starbucks quando um homem se aproximou.
"É um herói", disse o homem, que se definiu como um "conservador". "Eu ficaria orgulhoso de ter você como meu filho".
Os hackers, que o idolatravam desde que entrou no sistema do jornal The New York Times, em 2003, não o perdoam. No Twitter, o Wikileaks, site sueco que publica informação confidencial de governos e empresas, chamou Lamo de "notório ladrão de informação e manipulador", negando ter recebido 260 mil documentos secretos, que, segundo o ex-hacker, teriam sido passados por Bradley Manning.
Em maio, a revista Wired revelou que Lamo sofre de síndrome de Asperger, um transtorno relacionado ao autismo, do qual se diferencia por não apresentar os sintomas clássicos. Foi o que levou, segundo conta, o militar a contactá-lo. Manning teria dito a Lamo que ambos tinham as mesmas aspirações e contado que, por discordar da Guerra no Iraque, havia vazado o famoso vídeo "dano colateral" em que, de um helicótero, militares atiram em civis iraquianos. Mas Lamo resolveu denunciá-lo. Alega que foi para salvar vidas de militares americanos.
"Eu não podia fazer nada sabendo que vidas estavam em perigo", disse ao Sacramento Bee. "Eu não sou um traidor e não podia acobertar um traidor".